MEDICINA ESPORTIVA


TRT- TERAPIA DE REPOSIÇÃO DE TESTOSTERONA



Cada vez mais se escuta na mídia sobre a terapia de reposição de testosterona- TRT, e também sobre uso abusivo de anabolizantes. Hoje tentarei abordar o primeiro assunto, muito citado após o lutador Vitor Belfort assumir que faz o tratamento. A Andropausa ou Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM) ou em inglês “Partial Adrogen Deficiency of the Ageing Male (PADAM)”, embora aindapouco divulgada, está presente em torno de 20% dos homens após 40 anos de idade. Ela nada mais é que a queda natural ou patológica da testosterona.

A testosterona é o hormônio esteroide natural produzido nos testículos do homem. Também é produzido na mulher numa dose 20 a 30 vezes menor. Todas as mulheres por volta dos 50anos de idade terão menopausa: diminuem os hormônios femininos (estrógenos) e cessa a menstruação. Já os homens não possuem um sinal como a menstruação, mas as taxas hormonais também caem. Geralmente 10% por década. Tendo como ápice da dosagem de testosterona um adulto de 25 a 35 anos, a partir desta idade a tendência é de queda. Estima-se que com 70 anos 40% dos homens terão testosterona abaixo do ideal. Além do envelhecimento natural, outras causas da queda de testosterona são: obesidade, distúrbios endocrinológicos, uso abusivo de anabolizantes (as famosas bombas), uso de medicamentos (como exemplo a finasteride), falha testicular primária, entre outras. Os sintomas incluem falta de libido, cansaço físico, fraqueza, perda de concentração e da memória, perda de massa muscular e força, acúmulo de gordura, irritabilidade, impotência sexual e depressão. Logicamente tudo isso causa autoestima baixa e queda notável da qualidade de vida. Também a queda de testosterona pode levar a quadros de anemia e osteoporose. Portanto todos os homens acima dos 40 anos ou com sintomas relacionados devem fazer dosagem de testosterona. Isso deve ser analisado por médico que estude o assunto (médico esportista, endocrinologista ou urologista). Importante salientar que não é porque a pessoa tem sues números na dosagem dentro da normalidade que ele não tem problema. Por exemplo, uma pessoa que com 30 anos teve taxas normais de 800ng/dL(limite superior) e seu organismo estava adaptado a isso, dosa com 40 anos e apresenta 300ng/dL(taxa inferior, mas normal). Este valor pode estar dentro da normalidade, mas não para esta pessoa em específico. Também a testosterona total normal não indica saúde, pois o que interessa é a testosterona livre. Por isso a necessidade de passar em consulta com médico que esteja atualizado no tema. Sempre que nos referimos à reposição hormonal com testosterona aparecem dois dilemas. O primeiro que testosterona é usada para o doping, para trapacear, usado por atletas. E o maior mito, o risco de provocar câncer de próstata. A terapia de reposição de testosterona (TRT) serve para adequar os níveis deste hormônio, deixando no patamar da normalidade aquilo que está baixo. A TRT não visa aumentar exageradamente os níveis de testosterona a fim de alcançar alguma vantagem com isso, muito pelo contrario, o excesso é condenável.

Quanto ao câncer de próstata, diversos estudos comprovam que a TRT é segura!! O câncer de próstata usa a testosterona como “combustível”, mas a testosterona não é capaz de causar o câncer. Se a queda da testosterona protegesse contra o câncer nos não veríamos a incidência de tumor aumentar à medida que ficamos mais velhos. Também a quem diga que a queda hormonal faz parte do envelhecimento e não deve haver reposição. Ora, se seus olhos enxergam menos com a idade, então não se deve usar óculos? Ou se o cálcio diminui com a idade, ele não deve ser reposto e deixamos os ossos fraturarem por osteoporose?? Não podemos fazer com que o preconceito e a falta de conhecimento impeçam os homens de melhorarem sua qualidade de vida. Devemos aceitar o envelhecimento natural, mas não abdicarmos da medicina e chegarmos na melhor idade doentes. Após o diagnóstico preciso da queda da testosterona, com correlação clínica, iniciamos a reposição hormonal. Existem varias formas de se repor a testosterona com vantagens e desvantagens de cada uma. Comprimidos, injeções, adesivos, cremes, gel, etc . Para todos os gostos e bolsos. Embora o mais comum seja a reposição em homens, há mulheres que também usam a reposição de testosterona para melhorar sua libido. Não se deve fazer TRT nos pacientes com câncer de próstata ou mama, portadores de policitemia (excesso de glóbulos vermelhos no sangue, o contrario de anemia) e portadores de apneia do sono não tratada. Os efeitos colaterais podem ser a policitemia e a diminuição dos espermatozoides. Outros efeitos como aumento da próstata, ginecomastia, diminuição dos testículos, podem ser contornados com medicações complementares. Pacientes com sintomas severos de prostatismo (dificuldade de urinar) devem estabilizar o quadro primeiro. Pacientes que desejam ter filhos deverão colher amostras de sêmen ou utilizar alternativos de tratamento, pois a TRT diminui a fertilidade. Com a TRT os sintomas devem desaparecer entre 2 e 3 meses de tratamento e os exames de sangue devem mostrar a normalização no nível de testosterona. O tratamento é para vida toda. Parando o tratamento as queixas voltaram. A escolha é do paciente. Os pacientes com síndrome metabólica: obesos, hipertensos, com colesterol e triglicerides altos e com diabetes tem uma chance maior de apresentar a testosterona baixa (50% acima dos 50 anos). Há pesquisas sugerindo que pacientes que sofrem de infarto do miocárdio ou tiveram derrame cerebral apresentam a testosterona em nível abaixo do normal, se comparado com a população normal. Mas só o futuro nos dirá se a testosterona baixa poderá ser um marcador de saúde. Ou seja, testosterona em alta, saúde em alta. Há já quem diga que a testosterona seria a droga do rejuvenescimento masculino... Lembro também que somente remédio não muda tudo, devemos aliar a isso uma a dieta adequada e atividade física. Sobre o uso de testosterona em jovens com níveis normais do hormônio, para fins de desempenho esportivo maior ou aumento da massa muscular, a discussão é grande (há muitas informações sensacionalistas na mídia sem comprovação, além de muitos mitos a serem desmentidos...).